Paranapiacaba, a vila inglesa no Estado de São Paulo

Estive no último domingo em Paranapiacaba, para o último dia do 13º Festival de Inverno de Paranapiacaba, e vou te dizer, nem eu achava que seria um passeio tão legal.

Localizada no alto da Serra do Mar, rodeada pela Mata Atlântica, Paranapiacaba é um distrito do município de Santo André.

Paranapiacaba, a vila inglesa

A vila surgiu em 1867 como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway, companhia esta que operava a estrada de ferro que realizava o transporte de cargas e pessoas do interior paulista para o porto de Santos e vice-versa.

As linhas de trem foram desativadas, a companhia dissolveu-se e a cidade transformou-se em um charmoso e inusitado ponto turístico. Todos os anos são realizadas grandes festas como o Festival de Inverno, o Festival do Cambuci e a Convenção de Magos e Bruxas.

Não é permitido a entrada de veículos na vila (exceto moradores) e as todas as construções são tombadas pelo patrimônio histórico.

Paranapiacaba, a vila inglesa

A vila é pequena, charmosa, bem planejada e sinalizada. O comércio da vila sustenta-se com o turismo e há diversos restaurantes, bares e lojinhas de artesanatos.

É um valor histórico e cultural enorme passear pelas largas ruas da vila, com construções arquitetônicas inglesas centenárias e ter ao fundo da vila um grande relógio erguido pelos ingleses (numa imitação ao Big Ben) e o som da chaminé da Maria Fumaça.

Um domingo inteiro é o suficiente para conhecer toda a região, visitar os museus e almoçar na vila. Para quem quiser ficar mais tempo há várias opções de pousadas.

Por estar rodeada pela Mata Atlântica, Paranapiacaba também é ponto de encontro dos amantes de trilhas e trekking.

Paranapiacaba, a vila inglesa

O cambuci, fruto do cambucizeiro, árvore frutífera nativa da Mata Atlântica ameaçada de extinção, é outro grande atrativo da região.

Como chegar

Como eu disse, não é permitido o tráfego de veículos em Paranapiacaba. Ir de carro pode não ser a melhor opção. Os automóveis só podem chegar até determinado trecho da rodovia. Há um estacionamento com um custo único de R$ 20,00 neste trecho e todos devem seguir em um ônibus da prefeitura até a vila. Não me parece ser uma boa, mas tem muita gente que vai. Se decidir ir de carro, um conselho: tenha um GPS a bordo.

Paranapiacaba, a vila inglesa

Outra maneira de chegar a vila é através do expresso turístico da CPTM. O trajeto está sendo realizado aos domingos, exceto nos segundos do mês. O passageiro tem a opção de embarcar às 8h30 na Estação da Luz ou às 9h00 na Estação Prefeito Celso Daniel-Santo André (Linha 10-Turquesa, da CPTM). O retorno ocorre às 16h30 em Paranapiacaba, com parada na Estação Prefeito Celso Daniel-Santo André.

A viagem é feita a bordo de dois carros de aço inoxidável fabricados no Brasil na década de 50 e tracionados por uma locomotiva também da década de 50, totalmente reformada. O percurso de 48 Km leva 1h30 e é realizado ao longo da atual Linha 10-Turquesa, proporcionando ao turista uma viagem no tempo. Entre os destaques estão as estações Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, tombadas recentemente pelo patrimônio histórico de São Paulo. Elas foram construídas pela antiga empresa britânica SPR (São Paulo Railway) ― primeira ferrovia paulista, inaugurada em 1867.

É necessário fazer a compra antecipada dos bilhetes nas bilheterias da Estação da Luz ou da Estação Prefeito Celso Daniel.

Paranapiacaba, a vila inglesa

Não é a maneira mais econômica ou rápida de chegar (visto que só parte da Estação da Luz ou da Estação Prefeito Celso Daniel) e a viagem de ida e volta custa R$ 34,00. Mas tem um valor histórico enorme. No site da CPTM é possível consultar as datas disponíveis para viajem e todos os valores.

E a última forma de chegar foi a que utilizei. Basta ir até a estação de trem Rio Grande da Serra (linha 10 - Turquesa) e da estação pegar um ônibus (do outro lado da rua) até Paranapiacaba (o ônibus parte todos os dias em intervalos de meia hora). Trinta minutos no ônibus e você chega a vila. A viagem toda custa R$ 6,05. Esta é a maneira mais rápida e econômica de chegar a Paranapiacaba.

Parte Alta e Parte Baixa

A vila é dividida em duas: a Parte Alta e a Parte Baixa.

Independente da forma que você escolher chegar a vila, sempre desembarcará na Parte Alta.

Paranapiacaba, a vila inglesa

A Parte Alta foi colonizada pelos portugueses e não guarda grandes atrações. Há ali a igreja, o cemitério e um punhado de bares e casas. 

De uma passadinha na igreja. A Igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba teve sua construção iniciada em 1884.

Paranapiacaba, a vila inglesa

Você desce uma ladeira e encontra a passarela que liga a Parte Alta e a Parte Baixa. É em baixo desta passarela que opera a Maria Fumaça e é na passarela que se tem a melhor vista da grande torre do relógio.

A Parte Baixa, antiga propriedade da companhia, abriga as principais atrações e todas as construções inglesas. 

A vila é muito bem sinalizada. Várias placas indicam a direção de atrações, restaurantes e banheiros.

Museu do Funicular e Museu do Castelo

Assim que atravessamos a passarela há uma placa indicando a entrada para o Museu do Funicular. Não faça como eu e vá nesta mesma hora no museu. Explico. Passei reto pensando em voltar mais tarde e este mais tarde nunca chegou. Andei demais, bebi demais e na volta a preguiça bateu e não fui. Arrependimento.

A visita ao museu custa R$ 5,00 e tem inicio no embarque na antiga Maria Fumaça em operação. Ela leva os passageiros para um passeio de cinco minutos com desembarque num grande galpão que abriga as máquinas fixas das antigas linhas e diversos objetos de uso ferroviário, fotos e fichas funcionais de muitos ex-funcionários da ferrovia.

O outro grande museu da vila é o Museu do Castelo (ou Castelinho).

Paranapiacaba, a vila inglesa

Localizada no alto de uma colina, com uma excelente vista privilegiada para toda a vila ferroviária, foi construída por volta de 1897 para ser a residência do engenheiro-chefe, que gerenciava o tráfego de trens na subida e descida da Serra do Mar, o pátio de manobras, as oficinas e os funcionários residentes na vila.

A visita guiada custa R$ 3,00, dura cerca de trinta minutos e é fantástica. Percorremos todos os cômodos da casa acompanhados por um guia local muito simpático que vai contando a história da casa, da vila e da ferrovia.

Paranapiacaba, a vila inglesa

A casa é enorme. E linda. Sua imponência simbolizava a liderança e a hierarquia que os ingleses impuseram a toda a vila; ela é avistada de qualquer ponto de Paranapiacaba.

Paranapiacaba, a vila inglesa

Dizia-se que de suas janelas voltadas para todos os lados de Paranapiacaba, o engenheiro-chefe fiscalizava a vida de seus subordinados.

Se você gosta de história vai adorar. Se gosta de arquitetura vai adorar. Se gosta de ferrovias vai adorar. E mesmo que não goste de nada disso de uma chance para este museu. Os poucos móveis, objetos e quadros contam uma história quase perdida no tempo sobre a casa, a vila e seus moradores.

Comer e Beber

O cambuci reina em Paranapiacaba. São cachaças, licores, sorvetes, conservas, cocadas e mais uma dúzia de produtos feitos com a fruta.

A fruta é redonda, verde e tem uma polpa macia com sabor levemente doce e muito ácido. Se você não conhece o cambuci precisa experimentar. Primeiro porque o cambucizeiro está ameaçado de extinção. Segundo porque Paranapiacaba vive da fruta. Terceiro porque os produtos feitos com ela são muito saborosos.

Eu adorei a cachaça e a cocada.

Paranapiacaba, a vila inglesa

Na vila há o antigo mercado, que hoje serve à venda de vários produtos. Ali você encontra cosméticos, artesanatos e comidas vendidos pelos moradores.

A maioria dos restaurantes funciona nas antigas casas inglesas. A grande parte são lugares simples, com comida caseira e preço justo.

Paranapiacaba, a vila inglesa

Almocei no "Restaurante Big Ben", um self service simples, com comida caseira, saborosa e sem muita variedade. Custou R$ 17,00.

A graça não esta na comida, mas no charme do lugar. Sentar na pequena varanda do século XIX, em cadeiras mais antigas que a das casas das avós e uma toalha quadriculada na mesa tem valor muito maior do que a comida. Ficar ali tomando uma cerveja, uma dose de cachaça de cambuci e imaginando nas pessoas que passavam por aquela porta dezenas de anos atrás é delicioso.

Há na vila um espaço gourmet com restaurantes mais tradicionais, com comida mais elaborada e preço maior. Não vá neles. A graça são os restaurantes mais simples, com as mesas na varanda ou no quintal. Por os pés na grama. Estar ao ar livre. Ficar vendo quem passa, sem pressa. É sensacional.

Paranapiacaba, a vila inglesa

Tente experimentar ainda o lanche de pernil. Vi vendendo só em dois lugares da vila, mas esqueci de anotar em qual deles eu comi. Mas não deve ser difícil de encontrar, bem na porta da casa uma placa indica: "o melhor lanche de pernil de Paranapiacaba". E vou te contar, é verdade. O melhor lanche de pernil que já comi. A carne bem temperada e desfiada recheia em abundância o pão fresquinho. Comi lambendo os dedos depois. Custou R$ 7,00.

De negativo só os doces portugueses que provei, nada demais. Mas também, erro meu. Comer doce português em uma vila inglesa não deveria dar certo mesmo.

Arte, cultura, artesanato e trilhas. O que mais fazer?

Paranapiacaba não são só museus, comida e bebida. Há ainda muitos festivais, lojas de artesanato, cultura, artes e trilhas.

Todos os finais de semana jovens encontram-se por lá para discutir questões sociais e conscientizar os visitantes sobre assuntos importantes.

A Mata Atlântica convida os amantes de trilhas e aventureiros para passeios guiados.

Durante os festivais há diversos shows, exposições e apresentações de teatro.

Recomendo muito uma visita na vila. Sai um domingo cedinho de casa, pegue o trem e descubra mais sobre este lugar que iniciou o transporte ferroviário no Brasil, é envolto a uma flora ainda preservada e mantém o charme de décadas atrás.

→ DESCUBRA OUTROS LUGARES EM SÃO PAULO

→ Você gosta de economizar? Clique aqui e compre com desconto nas Lojas Americanas!

10 comentários:

  1. Não conhecia. Parece ser um excelente lugar, tranquilo.

    Linkicha - http://linkicha.com.br/

    -

    ResponderExcluir
  2. Não pode ir de carro até a parte alta ou parte baixa somente nos finais de semana do período do festival de inverno (três finais de semana do mês de julho). Durante a semana o acesso é livre, depois do festival de inverno nos finais de semana também. Quem for para a parte alta vai deixar o veículo num estacionamento aberto e vai a pé até a parte baixa passando pela passarela sobre a linha de trem. Quem vai para a parte baixa tem que pegar uma estrada de terra com um percurso de 6 km aproximadamente e chega até a parte baixa, podendo entrar de carro em todo lugar e estacionar nesta parte baixa da vila. Não é necessário um domingo para ver tudo, em uma ou duas horas há o suficiente. Quem for de moto vá para a parte alta, pois dá para passar pela passarela empurrando a moto desligada. Para ir de moto pela estrada de terra é aconselhável ir somente nos períodos em que não há chuvas, pois fica muito escorregadio e sujo.

    ResponderExcluir
  3. Mais informações sobre a Vila de Paranapiacaba pode ser feita ligando para a prefeitura (08000191944), pois é um bairro do município de Santo André. Pode parecer esquisito, pois para chegar lá de carro você passa por Santo André, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, depois volta a ser Santo André (na vila de Paranapiacaba). Tem ônibus urbano que sai da estação de trem Prefeito Saladino, em Santo André e que vai direto até a parte alta da Vila de Paranapiacaba, com intervalos de até 40 minutos, dependendo do horário que for pegá-lo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado pelas informações, eu não sabia que fora da época do festival pode ir de carro até lá. Com certeza seu comentário será de grande ajuda para todos. Obrigado mais uma vez!

      Excluir
  4. Legal recordar......morei lá 16 anos,saí de lá em 1994 e nunca mais voltei,sinto saudade sminha infancia lá foi maravilhosa......

    ResponderExcluir
  5. Obrigada pelo post detalhado.
    Estava pensando como ir para Paranapiacaba, já que a passagem de trem está lotada até outubro.
    Tentarei ir da forma que você foi, de ônibus.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu queria ter ido de trem, mas fiquei na mesma situação de estar lotado pelos próximos meses. Fui de ônibus e recomendo, muito rápido e fácil. Chegando no terminal de trem Rio Grande da Serra, é só atravessar a rua e pegar o ônibus. Qualquer coisa pode perguntar para algum funcionário do terminal que eles te informam direitinho.

      Excluir
    2. para ir de trem é muito cansativo pois você tem que ficar o dia todo lá, os passeios pela mata com os guias são muito caros, o trem te deixa lá e depois só sai no final do dias, o museu ondetem as locomotivas antigas esta sucateado e mau cuidado, mas mesmo assim é um passeio legal para levar as crianças!!!

      Excluir
  6. Oi...muito boa a matéria (aliás todas as matérias!!)
    Para e hospedar e para comer bem, muito bem e ter uma acolhida de casa de vó... sugiro Hospedaria Os Memorialistas... da Zélia Paralego e do Pedro... ;)

    ResponderExcluir